Inefável Solilóquio


Espadana
2 março , 2017, 19:41
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para Daniel Caldas

 

Tatua tua lascívia nos meus pêlos inertes

Deixe estar tuas pupilas úmidas que cavam colheitas

Incertas e trêmulas

Escamas que ocultam os orvalhos da tua manhã

Ditam as garatujas da minha face e

Flâmulas

Feitas de linhos inférteis

Perseguem cores de retinas alheias

Vãs.



Negativismo Poliglota
7 julho , 2010, 21:31
Filed under: Desabafo, Poesia

Quand j’étais petite, eu me dizia: don’t let yourself go.
Ouais, ouias. E assim me conduzia, I didn’t know.

Le ciel n’est plus bleu, nem mais verde a terra.
E quando menos se espera, a gente erra.
Rapariga, ils s’en fout. If only I said no.

Cállate. Essuie tes larmes. Give it to the next one.
Costure com parcimônia, keep walking on your own.

Ich war ein Narr.
Como todo o mundo…
quand on ne le sait pas.



Se Pandora enfrentasse Moiras
26 setembro , 2007, 0:10
Filed under: Poesia

– Mas você quer?

O quê? “Você quer?”
Não conseguia conceber
a possibilidade do querer
como determinante para o que vier…

– Tem futuro?
– Nunca sei se tem futuro…

Como se vivesse pelos anseios de outrem…
Amanhecida sob as mãos que mantém…

-Nunca sei se tem futuro…
– Mas você quer?

Verbo que somente lustro,
deixo pálido
e juro, também cálido

– Mas você quer?
(Silêncio)
(Sorrisos)
(Momentos)
(Desatinos)

 

 

Juliana dos S. de A. Sampaio



Revolto Soneto
3 junho , 2007, 22:56
Filed under: Poesia

Sem a convergência dos braços impotentes
Apontando os velhos indicadores
Resgata gestos indecentes
A soberania de todas as dores.

Com os pés cravados pela memória
Situando fragmentos da perdição
Escava ampla clarabóia
A gelada brisa em evocação.

Velozmente agiria aquele que busca
O metafísico na matéria bruta
E, porventura, mantém eqüidistante.

Não era giz marcado.
Não havia nada ensaiado.
Enfim, o precioso instante.

 

 

Juliana dos S. de A. Sampaio