Inefável Solilóquio


Negativismo Poliglota
7 julho , 2010, 21:31
Filed under: Desabafo, Poesia

Quand j’étais petite, eu me dizia: don’t let yourself go.
Ouais, ouias. E assim me conduzia, I didn’t know.

Le ciel n’est plus bleu, nem mais verde a terra.
E quando menos se espera, a gente erra.
Rapariga, ils s’en fout. If only I said no.

Cállate. Essuie tes larmes. Give it to the next one.
Costure com parcimônia, keep walking on your own.

Ich war ein Narr.
Como todo o mundo…
quand on ne le sait pas.



End… Begin!
1 fevereiro , 2010, 19:38
Filed under: Desabafo

Não é porque você não sente que ele não exista.



Destituição
27 setembro , 2008, 1:21
Filed under: Desabafo

Meus personagens não têm nomes. São tão anônimos quanto eu. Estranho nomes em estórias… O que não significa que não os gosto na realidade. Gosto quando falam o meu, quando meu celular finalmente toca e a outra pessoa do lado da linha não pergunta “Quem está falando?” mas categoricamente pronuncia um monossílabo qualquer. Ainda espero esse aparelhinho não se dissimular em enganos… Gosto ainda mais das pupilas dilatadas das pessoas a quem me dirijo dizendo seus nomes. A luz do sorrisos chega a refletir em mim e até parece que o reconhecimento é mútuo… Gosto de lembrar dessas pequenas relíquias de identidade, e das pronúncias, e como os sorrisos se encaixam com os nomes…

De certo faço tal tipo de comparação pois não consigo desvencilhar minha vida e minhas palavras. Creio que seja falta de talento, inaptidão para a ficção. Dou-lhe as costas. Escrevo porque penso e penso assim como sinto e nem anos de terapia mudariam essa característica. Uma tal teimosia criativa que se bajula em ser filha única no conjunto de não soluções da minha personalidade.

Essa teimosia criativa me impele a pensar minha vida em quadros fílmicos, estéticos, íntimos, dramáticos… Distancio-me dela de forma a pensar que o roteirista é outro alguém e eu sou uma diretora de arte… Coloco uma cor nos dedos, uma luz na sala… Outros personagens, um problema, um clímax: opções fora do alcance que às vezes acontecem sem razão aparente. O diretor instintivamente diz “É assim” e o ator se desdobra para lhe agradar… E tudo sai esplêndido… Durante, em média, uma hora e trinta minutos.

Por que seria a culpa sempre nossa e a felicidade obra do destino?



Paris
10 agosto , 2008, 21:31
Filed under: Desabafo

C’est que je suis heureuse aujourd’hui. Tu ne peux rien. Toi, tu sais faire la torture avec toi-même. Moi, j’ai appris que tu es un petit con. Forcement un (mal)-être humain. Maintenant je sais tout. J’ai dominé l’autre-côté.

Oui, je porte des robes et des collants, mon chéri. En revanche, je parle… Que je parle! Tanpis?

Non. Pas de souci! Je m’intéresse par l’esprit. Tu m’as conquis, quoi! Tu rappeles la vielle? Je ne l’ai jamais aimée. Jamais. Elle était trop lourde, trop triste. Elle n’avait pas d’espoir… Elle disait “trop” et “jamais” toujours. Elle était une petite gamine perdue en France! Elle ne savait que pleurer!

Je pensais que si j’était l’autre…. Si je change quelque chose à moi je peux perdre n’importe que trace de talent pour écrire. Ils s’en fou. Ils ferment les yeux et tout devient merveilleux.

Chanson inconnue au bar. 



Un amant en chaque ville
30 abril , 2008, 18:18
Filed under: Desabafo

Ela assassinou o amor:

Colocou o copo d’água para usar, limpou o suor, andou despida na frente da janela, deu uma camisa para o colega ao lado, disse tudo bem amanhã sem querer dizer exatamente isso, pintou as unhas e depois as roeu. Ele deixou um recado na caixa postal, pegou o carro e estacionou longe, deu um abraço, um beijo e disse Qu’est-ce que tu veux?. I want to go home with you.

Ela não desejava que fosse tão tarde. Ela queria mais que seis meses, mais do que uma gestação precoce. Ele só queria aquilo que ela oferecia sem pedir nada em troca… E ela pedia, sim, todas as vezes. Ela começava pedindo, de primeira.

Ela tinha uma valiosa moeda de troca. Ela sabia usá-la, mas ainda não teve o sucesso garantido. Ele trocava sem saber. Ele sabia como trocar.

Ele desligava o celular, não devolvia olhares ou toques…

Ela era duas em um corpo. Ele era dois corpos em uma idéia.



Sua musicófila, cinéfila, book-eater junkie!
29 julho , 2007, 23:44
Filed under: Desabafo

Vamos lá às contas. Devo ter uma memória musical de 10 mil músicas e uma lista imensurável de bandas e artistas que eu devo fazer o download da discografia. São 424 filmes vistos e 192 que eu deveria ver. Meros 79 livros lidos desde que eu anoto, isto é, desde os 14 anos, e mais uns 50 para um futuro próximo… Uns dois, três anos. Sim, sim. Vamos ver…

Ah! Eu preciso fazer uma confissão: Música, cinema e literatura são os três tipos de drogas que eu mais uso. Corrida também é um vício, mas não vai entrar nessas linhas porque, como vocês vão entender mais tarde, ficaria fora de contexto. Então, considero-as como drogas porque elas são o melhor meio para mim de se afastar da realidade, de construir um mundo só meu, com tragédias e alegrias que transbordam as vinte e quatro horas de uma universitária sem muitas coisas para se fazer, se focar… O que estou dizendo? Que absurdo… Eu tenho demais para fazer, por isso mesmo não me satisfaço com o tempo permitido para mim pelo, cof, capitalismo selvagem, cof…  Ir além, viver mais, em épocas diferentes, em lugares diversos, em corpos ilimitados.

Tenho listas que parecem que nunca diminuem, mas se reproduzem como roedores em terras férteis da Ucrânia! Eu leio um livro da lista, compro outro e já anoto uns dois!  Vejo um filme, anoto outro e assim sucessivamente… O vício não tem cura. Também não tem como enfrentar escassez de material… No quesito musical, quando descubro uma banda ou artista baixo um álbum, depois a discografia completa e a escuto enquanto enfrento as cartas do paciência-spider ou os ônibus da metrópole. No que diz respeito aos filmes, a questão é um pouco mais complexa. São listas e listas por diretores, atores, roteristas, movimento artístico e até mesmo nacionalidade. Alugo seis por três e passo quase uma semana vendo um filme por dia, às vezes até dois. Quando acaba o filme, eu desligo todos os aparelhos, vou à cozinha pegar um copo d’água que levo até a criado-mudo para eu beber enquanto leio algum livro estirada na cama. A capa reluzente, o cheiro do papel… Esse é de um autor latino-americano conhecido, essa de uma autora brasileira, esse ganhou o último Nobel, esse é um infanto-juvenil que virou filme… Um em seguida do outro, sem descanso. Parar? Dar um tempo? Não, pois o vício não permite.

Ai ai, sabe, querido leitor, o porquê de eu estar aqui escrevendo sobre esses meus excessos? Porque eu acabei de ler um Harry Potter, cof, e estou com síndrome de abstinência. Comprei O Passado, do Alan Pauls pela Internet há pouco tempo, mesmo tendo aqui ao meu lado La Nausée do Sartre e Hard Times do Dickens… E o livro só vai chegar daqui a oito dias! Oitos dias! Vou sonhar, ter delírios que meus dedos percorrem páginas e as viram sem cessar… Colocam marcadores por todos os cantos da casa. Para apaziguar, vi o filme A Scanner Darkly. Depois, para minha desgraça, descobri que foi baseado em um livro de mesmo título cujo autor também escreveu Minority Report. Sacrilégio! Imperdoável! Para a fogueira! Eu vi os filmes antes, ANTES, de ler a maldita, ou bendita, brochura. Odeio quando isso me acontece. Bem, não é à toa que comprei O Passado. Umas semanas atrás, assisti ao trailer do filme que o Hector Babenco fez baseado no livro. Como o filme pode estrear a qualquer momento, não posso estar desprevenida. Já fiz isso com os Harry Potter da J. K. Rowling e À Sangue Frio do Truman Capote. Fiz também para ver uma peça de teatro baseada em Crime e Castigo do Dostoiévski. Igualmente, deixo de ver filmes por causa disso. Não quero, não posso ter meus olhos expostos ao Anna Karenina, Memórias de Uma Queixa ou Bonequinha de Luxo.

Ah… Eu quero uma casa forrada de livros. Algo como uma biblioteca com home thether e mini system. Ou um ser humano para me tirar desse mundo de fantasias… ALGUÉM LIGA NO MEU CELULAR!

 

 

Juliana dos S. de A. Sampaio