Inefável Solilóquio


Un amant en chaque ville
30 abril , 2008, 18:18
Filed under: Desabafo

Ela assassinou o amor:

Colocou o copo d’água para usar, limpou o suor, andou despida na frente da janela, deu uma camisa para o colega ao lado, disse tudo bem amanhã sem querer dizer exatamente isso, pintou as unhas e depois as roeu. Ele deixou um recado na caixa postal, pegou o carro e estacionou longe, deu um abraço, um beijo e disse Qu’est-ce que tu veux?. I want to go home with you.

Ela não desejava que fosse tão tarde. Ela queria mais que seis meses, mais do que uma gestação precoce. Ele só queria aquilo que ela oferecia sem pedir nada em troca… E ela pedia, sim, todas as vezes. Ela começava pedindo, de primeira.

Ela tinha uma valiosa moeda de troca. Ela sabia usá-la, mas ainda não teve o sucesso garantido. Ele trocava sem saber. Ele sabia como trocar.

Ele desligava o celular, não devolvia olhares ou toques…

Ela era duas em um corpo. Ele era dois corpos em uma idéia.

Anúncios