Inefável Solilóquio


Capítulo 6. Da moça
25 maio , 2007, 13:16
Filed under: Conto, Inefável Solilóquio

Cada vértebra sua desenhava sulcos no colchão. Era assim que eu esperava que a noite terminasse. Sono profundo. Ligeira culpa sobre o travesseiro. O exato nunca realizado por completo. Mas o que me importa se você ainda estava lá aos meus pés? Aquela perturbadora proximidade física que nos mantinha confinados. Um passo, um insignificante avanço. A simplicidade do chute no ar.

Absurdos! Como os havia construído. Tijolo a tijolo. Não ecoava batidas cardíacas em seu corpo! Os fluidos se entroncavam nas artérias. Fato: O solo frio já devia ter engolido da matéria à alma. Não. Era um fardo recém adquirido pelas palavras duras… Talvez fosse uma questão de honra? Um alívio?  Há oportunidade para que todos experimentem as sensações que cada lado oferece. Você tinha que repetir de alto e bom som. E eu, ouvir… Concordar com leves movimentos de cabeça e guardar os vulcões em seus devidos lugares.

Agora, meu bem, são apenas formalidades. Palavras de silêncio e murmúrios nos movimentos de pálpebra. Entre um ou outro momento, surpresas. Sorrisos fotográficos! Esses… Ah esses que me impelem a um desejo de mergulhar nas águas negras alheias. Resta-me gritar com os dentes cerrados e os olhos abertos.

 

 

(do conto Inefável Solilóquio – Juliana dos S. de A. Sampaio)

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