Inefável Solilóquio


Capítulo 10. A moça esclarece: “Ilhós é uma palavra bonita…”
25 maio , 2007, 13:27
Filed under: Conto, Inefável Solilóquio

Obrigaram-me a ficar com o corpo inerte, entre quatro paredes cujas distâncias não foram bem delineadas. Puseram-me uma venda nos olhos quando eu achei que estava participando de uma atividade de inclusão. Há meses que fico à deriva, tateando rachaduras, inspirando odores, esperando…

Proibiram-me de qualquer manifestação. Seriam por demais inoportunas para o momento e, especialmente, para os vizinhos. Contudo, creio que nós seres humanos não fomos construídos histórico e muito menos biologicamente… Para a reclusão, gritos, esmurros e entre outros atos de desespero que faziam meus dias naquela sala. Cada vez mais opaca… Escuridão.

Moldada dentro de parâmetros altíssimos de segurança que evitam qualquer atropelo estava a construção. Descobri os atos em vão. Isolamento acústico, bairro desabitado… Ecos. Palavras que reverberam. Como seu diálogo com o mundo lá fora fosse somente monólogos de atriz de quinta. Tadinha, confusão.

 

 

(do conto Inefável Solilóquio – Juliana dos S. de A. Sampaio)

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