Inefável Solilóquio


Capítulo 4. Do professor
24 maio , 2007, 22:42
Filed under: Conto, Inefável Solilóquio

Tomei conhecimento de sua existência em um dia claro. Dia de poucas palavras e muita atividade. Dela. Porém, não se regulava por variações climáticas. Autêntica… Algo a se admirar! Não reclamava se chovia ou fazia calor, apenas sentia o que internamente pulsava e expulsava. O dia é seu, você o faz. Suas frases curtas. Ó que interessante meu novo objeto de estudo!

Contudo… Sim, “contudo”, pois não há como não usar advérbios de adversidade em um mundo onde as leis da superficialidade imperam. Então… Com tudo você é sensível. Um caleidoscópio único de percepção… Da reflexão que eu mesmo não poderia adotar, pois fadaria aos murmúrios. E o tempo é escasso.

Seus desarmes… Exposição das fraquezas humanas… Constituição de malícias dramáticas… Defeito por defeito sendo feito e refeito. Por favor, desista desta tensa permanência. Essa insistência… de apreender tudo sob ângulos oblíquos e cheios de arestas. A sua infelicidade não é a minha! E não posso mais te encontrar sem resgatar do pó as lembranças perversas do dia em que perdi a inocência. Depurei a raça humana!

Eu sei, sei que não há nada melhor do que os avanços da medicina. Que não há nada mais confortável do que algumas pílulas de manhã. Crer que tudo não passa de substâncias mal recolhidas pelos receptores cerebrais. Reitero: por favor, pare. Você não tem noção do que é preciso para sobreviver? 

Livrar-me dos entroncamentos subjetivos é sempre um fim a ser contemplado… Só contemplado… Nunca terei em mãos… Apenas ainda não sei porque ainda não admiti a falha como crônica e dada. Ponto.

É o assunto que mais domino. Quando existir ainda pessoas que pecam nas suas subjetividades, estarei  eu lá para dizer: “Não se preocupe, o mundo é assim… E eu já fui bem pior que isso. Penso: a solução é ter a consciência e nada mais.”

Agora, quero que as subjetividades alheias se esfarelem em seus devidos lugares… Com os devidos propósitos!!

Ó que raridade.

 

 

(do conto Inefável Solilóquio – Juliana dos S. de A Sampaio)

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