Inefável Solilóquio


Espadana
2 março , 2017, 19:41
Filed under: Poesia, Uncategorized

para Daniel Caldas

 

Tatua tua lascívia nos meus pêlos inertes

Deixe estar tuas pupilas úmidas que cavam colheitas

Incertas e trêmulas

Escamas que ocultam os orvalhos da tua manhã

Ditam as garatujas da minha face e

Flâmulas

Feitas de linhos inférteis

Perseguem cores de retinas alheias

Vãs.

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Negativismo Poliglota
7 julho , 2010, 21:31
Filed under: Desabafo, Poesia

Quand j’étais petite, eu me dizia: don’t let yourself go.
Ouais, ouias. E assim me conduzia, I didn’t know.

Le ciel n’est plus bleu, nem mais verde a terra.
E quando menos se espera, a gente erra.
Rapariga, ils s’en fout. If only I said no.

Cállate. Essuie tes larmes. Give it to the next one.
Costure com parcimônia, keep walking on your own.

Ich war ein Narr.
Como todo o mundo…
quand on ne le sait pas.



End… Begin!
1 fevereiro , 2010, 19:38
Filed under: Desabafo

Não é porque você não sente que ele não exista.



Destituição
27 setembro , 2008, 1:21
Filed under: Desabafo

Meus personagens não têm nomes. São tão anônimos quanto eu. Estranho nomes em estórias… O que não significa que não os gosto na realidade. Gosto quando falam o meu, quando meu celular finalmente toca e a outra pessoa do lado da linha não pergunta “Quem está falando?” mas categoricamente pronuncia um monossílabo qualquer. Ainda espero esse aparelhinho não se dissimular em enganos… Gosto ainda mais das pupilas dilatadas das pessoas a quem me dirijo dizendo seus nomes. A luz do sorrisos chega a refletir em mim e até parece que o reconhecimento é mútuo… Gosto de lembrar dessas pequenas relíquias de identidade, e das pronúncias, e como os sorrisos se encaixam com os nomes…

De certo faço tal tipo de comparação pois não consigo desvencilhar minha vida e minhas palavras. Creio que seja falta de talento, inaptidão para a ficção. Dou-lhe as costas. Escrevo porque penso e penso assim como sinto e nem anos de terapia mudariam essa característica. Uma tal teimosia criativa que se bajula em ser filha única no conjunto de não soluções da minha personalidade.

Essa teimosia criativa me impele a pensar minha vida em quadros fílmicos, estéticos, íntimos, dramáticos… Distancio-me dela de forma a pensar que o roteirista é outro alguém e eu sou uma diretora de arte… Coloco uma cor nos dedos, uma luz na sala… Outros personagens, um problema, um clímax: opções fora do alcance que às vezes acontecem sem razão aparente. O diretor instintivamente diz “É assim” e o ator se desdobra para lhe agradar… E tudo sai esplêndido… Durante, em média, uma hora e trinta minutos.

Por que seria a culpa sempre nossa e a felicidade obra do destino?



Paris
10 agosto , 2008, 21:31
Filed under: Desabafo

C’est que je suis heureuse aujourd’hui. Tu ne peux rien. Toi, tu sais faire la torture avec toi-même. Moi, j’ai appris que tu es un petit con. Forcement un (mal)-être humain. Maintenant je sais tout. J’ai dominé l’autre-côté.

Oui, je porte des robes et des collants, mon chéri. En revanche, je parle… Que je parle! Tanpis?

Non. Pas de souci! Je m’intéresse par l’esprit. Tu m’as conquis, quoi! Tu rappeles la vielle? Je ne l’ai jamais aimée. Jamais. Elle était trop lourde, trop triste. Elle n’avait pas d’espoir… Elle disait “trop” et “jamais” toujours. Elle était une petite gamine perdue en France! Elle ne savait que pleurer!

Je pensais que si j’était l’autre…. Si je change quelque chose à moi je peux perdre n’importe que trace de talent pour écrire. Ils s’en fou. Ils ferment les yeux et tout devient merveilleux.

Chanson inconnue au bar. 



Un amant en chaque ville
30 abril , 2008, 18:18
Filed under: Desabafo

Ela assassinou o amor:

Colocou o copo d’água para usar, limpou o suor, andou despida na frente da janela, deu uma camisa para o colega ao lado, disse tudo bem amanhã sem querer dizer exatamente isso, pintou as unhas e depois as roeu. Ele deixou um recado na caixa postal, pegou o carro e estacionou longe, deu um abraço, um beijo e disse Qu’est-ce que tu veux?. I want to go home with you.

Ela não desejava que fosse tão tarde. Ela queria mais que seis meses, mais do que uma gestação precoce. Ele só queria aquilo que ela oferecia sem pedir nada em troca… E ela pedia, sim, todas as vezes. Ela começava pedindo, de primeira.

Ela tinha uma valiosa moeda de troca. Ela sabia usá-la, mas ainda não teve o sucesso garantido. Ele trocava sem saber. Ele sabia como trocar.

Ele desligava o celular, não devolvia olhares ou toques…

Ela era duas em um corpo. Ele era dois corpos em uma idéia.



Se Pandora enfrentasse Moiras
26 setembro , 2007, 0:10
Filed under: Poesia

– Mas você quer?

O quê? “Você quer?”
Não conseguia conceber
a possibilidade do querer
como determinante para o que vier…

– Tem futuro?
– Nunca sei se tem futuro…

Como se vivesse pelos anseios de outrem…
Amanhecida sob as mãos que mantém…

-Nunca sei se tem futuro…
– Mas você quer?

Verbo que somente lustro,
deixo pálido
e juro, também cálido

– Mas você quer?
(Silêncio)
(Sorrisos)
(Momentos)
(Desatinos)

 

 

Juliana dos S. de A. Sampaio