Escrota. Assim, eu, somente eu, com vulgar qualificação falo sobre você. Exclusivamente eu, pois agora tenho clareza de tudo que você constitui e que outros são incapazes de perceber. Cada singular artimanha sua travestida em um sorriso largo. E afirmo novamente: Escrota. Categoricamente, escrota. Sem remorsos. É o que você merece.
Um conjunto de sadismos sofisticados no qual o perdão é destaque. Uma sutileza a mais e a armadilha se realiza. Uma construção prévia de inércia compassiva. Porém… Eu? Eu não! Eu não me sujeito a situações de risco. Aquele turbilhão… Veio e me arrematou. Sim, soprei um pouco mais. No entanto, sua compreensão é sobre-humana e, silenciosamente, me torturou.
De fato, o instrumento mais avançado do egoísmo que tive a honra de experimentar em gostos adocicados. Você veio, olhou e com palavras e lágrimas foi de uma sinceridade digna de troféu… Que fardo! Antes me xingasse, expusesse os defeitos insolúveis da minha pessoa, desqualificasse minha respiração! Cuspisse na minha cara e nunca mais me ligaria perguntando como foi meu dia.
Não diga que está tudo bem. Que a vida continua e seremos adultos para entender… Escrota! Nesse seu jogo, eu já perdi por antecipação. Essa sua obstinação… Pela perfeição… Obriga-me! Compele-me a me sentir além da inferioridade. Incapaz de manter qualquer relação humana com decência. Errei e assumo. Agora é um “adeus e que seja feliz”.
(do conto Inefável Solilóquio – Juliana dos S. de A. Sampaio)
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